Procuradoria liga mulher de Eduardo Cunha a esquema 'criminoso' na Petrobras

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Claudia Cruz – 750
Estadão Conteúdo

O Ministério Público Federal ligou a mulher do deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) ao “esquema criminoso” instalado na Petrobras. Em manifestação ao juiz federal Sérgio Moro, procuradores da República da força-tarefa da Operação Lava Jato rechaçaram exceção de incompetência em que Cláudia Cruz alega “inexistência” de conexão entre os crimes a ela atribuídos com os fatos apurados no escândalo de corrupção, cartel e propinas na estatal petrolífera.

Por meio da exceção de incompetência, a defesa de Cláudia pretendia tirar das mãos de Moro o processo em que ela é acusada da prática dos crimes de evasão de divisas — por manutenção de não declarada de depósitos no exterior — e de lavagem de dinheiro. O recurso foi o mesmo utilizado, sem sucesso, pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar tirar de Moro as ações contra o petista.

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A Lava Jato aponta que a mulher do ex-presidente da Câmara gastou no cartão de crédito mais de US$ 1 milhão (R$ 3,2 mi) em roupas de grife e restaurantes sofisticados na Europa. O dinheiro usado por Cláudia, segundo a Lava Jato, era parte de propina que Eduardo Cunha teria recebido em 2011 na operação de compra pela Petrobras de um campo petrolífero em Benin, na África.

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A tese de defesa é que o juiz da Lava Jato não teria competência para conduzir a ação e julgar Cláudia. Seus defensores argumentam que o foro competente para o caso é o Rio.

“Ora, em se tratando do mesmo esquema criminoso, da mesma sociedade de economia mista vitimada, do mesmo diretor Internacional corrompido, do mesmo operador de propinas, de um deputado federal pertencente a um dos partidos políticos beneficiados pelo esquema e dos mesmos valores provenientes da Petrobras que abasteceram a conta titularizada pela esposa do deputado, não é preciso muito esforço cognitivo e argumentativo para concluir que os casos são conexos e devem ser julgados pelo mesmo Juízo, já que assim têm-se um conhecimento integral dos fatos”, assinalou a Procuradoria da República.

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A manifestação é subscrita pelos procuradores da República Orlando Martello, Diogo Castor de Mattos, Deltan Martinazzo Dallagnol e Jerusa Burmann Viecili. Eles integram a força-tarefa da Lava Jato.

“Não há que falar-se em incompetência desse Juízo da 13.ª Vara Federal de Curitiba para processar e julgar as acusações que recaem sobre a excipiente (Cláudia Cruz), razão pela qual a presente exceção deve ser rejeitada”, afirmam os procuradores.

Eles destacam que está “documentalmente evidenciado” o fluxo financeiro dos valores das propinas acertadas na Diretoria Internacional da Petrobras, operacionalizadas pelo suposto operador do PMDB João Henriques “e efetivamente recebidas por Eduardo Cunha”.

Os procuradores anotam que os valores ilícitos “tiveram como um dos destinos finais a conta Kopek, controlada por Cláudia Cruz”.

“Da descrição realizada, fica bastante evidente a íntima conexão objetiva entre os fatos denunciados e os demais fatos em apuração na denominada Operação Lava Jato”, atestam.

Os procuradores citam outros personagens do episódio, como os ex-diretores de área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró e Jorge Luiz Zelada.

“O fluxo dessas propinas acertadas em contratos da Petrobras evidencia que parte desses valores transitou em conta bancária de Cláudia Cordeiro Cruz, que utilizou tais recursos para pagar cartão de crédito e bancar compras de luxo que fazia no exterior. Por outro lado, a denominada Operação Lava Jato apura a existência de um grande esquema de corrupção e lavagem de dinheiro em diversas áreas da Petrobras, incluindo em boa parte vários contratos celebrados com a Diretoria Internacional da companhia, ocupada por Nestor Cerveró entre 20 de março de 2003 e 7 de março de 2008 e Jorge Luiz Zelada, co-réu da referida ação penal, entre 4 de março de 2008 e 20 de julho de 2012.”

Cerveró e Zelada já foram condenados por “solicitação e recebimento de vantagens indevidas, também em contas secretas no exterior, em contratos com a Petrobras”.

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OAB-SP pede que TRE adie prazo para candidatos apresentarem certidão


Divulgação

A Secional da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Estado que adie até terça-feira (23) o prazo para que candidatos às eleições municipais apresentem a certidão que declara se já tiveram condenação judicial. O documento é exigido no registro da candidatura, que teve prazo vencido no último dia 15. De acordo com a OAB-SP, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que emite a certidão, não está conseguindo expedir o documento de todos os candidatos a tempo.

Segundo a entidade que representa os advogados paulistas, muitos dos mais de 80 mil candidatos a prefeito e vereador no Estado registraram a candidatura apenas com o protocolo da certidão, e não com a apresentação do documento em si, e correm o risco de impugnação. “Como a lei exige a apresentação da certidão – e não apenas de seu pedido -, está sendo criado um quadro de grave insegurança jurídica sobre se terão, esses candidatos, recusada as suas inscrições”, diz nota da OAB-SP.

O presidente da entidade, Marcos da Costa, afirmou que a situação pode trazer prejuízo às candidaturas, pelo falto de algum candidato não se sentir estimulado a começar sua campanha sem a certeza que a situação será validada pela Justiça Eleitoral.

— Nesse contexto, é fundamental que o Tribunal Regional Eleitoral reconheça que houve força maior a impedir os candidatos de apresentarem as certidões e, desta forma, valide os pedidos feitos apenas com o protocolo, concedendo prazo adicional para juntada da certidão. Também se faz necessário comunicar à sociedade a decisão evitando, assim, a configuração de um quadro de insegurança jurídica. Não é justo que sejam penalizados por fator que não deram causa.

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Segundo a assessoria de imprensa da OAB-SP, até a noite deste sábado (20) o Tribunal Regional Eleitoral ainda não havia respondido o ofício encaminhado. O pedido foi protocolado na quinta-feira (18).

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SP: Quase 3.000 presos e menores infratores vão votar

Presos provisórios poderão votar. Em São Paulo, são 1.725 detentos
31.08.2006/IVAN CRUZ/AGÊNCIA A TARDE/Estadão Conteúdo

Pouco mais de 2.800 presos provisórios e menores infratores terão direito a votar nas Eleições 2016, que vão escolher prefeitos e vereadores de todas as cidades brasileiras em 2 de outubro. A Justiça Eleitoral vai instalar 56 seções em prisões e unidades de internação do Estado para atender aos eleitores.

Ao todo, são 1.725 são presos provisórios, aptos a votar em 24 seções — sendo três na capital para 157 inscritos — e 1.080 menores infratores, que vão votar em 32 seções especiais — incluindo dez seções na capital paulista, para atender 346 jovens.

As cidades que serão atendidas por urnas eletrônicas nas cadeias são: São Paulo, Araçatuba, Birigui, Lins, Ourinhos, Pirajuí, São José dos Campos, Capela do Alto, Riolândia, Tupi Paulista, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Caraguatatuba, Mogi Guaçu, Franca, Ribeirão Preto, Osasco, Mauá, Araraquara e Suzano.

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As cidades, por sua vez, que terão seções nas unidades da Fundação Casa são: São Paulo, Batatais, Botucatu, Jacareí, São José dos Campos, Taquaritinga, Guarulhos, Cerqueira César, Iaras, Caraquatatuba, Campinas, Ribeirão Preto, Lins, Araçatuba, Osasco, Arujá, Sorocaba, Bauru, Limeira e Ferraz de Vasconcelos.

Conforme a legislação, são considerados presos provisórios aqueles recolhidos em prisões sem condenação criminal definitiva.

Já os adolescentes infratores são os internados maiores de 16 e menores de 21 anos, submetidos à medida socioeducativa de internação ou à internação provisória.

A Constituição Federal prevê o direito ao voto para o preso sem sentença definitiva, pois somente o trânsito em julgado suspende os seus direitos políticos.

A Justiça Eleitoral de São Paulo terá o apoio da SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) e da Fundação Casa para viabilizar a votação nesses locais, com as quais firmou acordos.

O voto do preso provisório foi implantado no Estado de São Paulo nas Eleições 2010. No último pleito, foram instaladas 89 seções com 4.314 eleitores aptos a votar.

Desse total, 1.309 inscritos votaram em estabelecimentos penais e 3.005 em unidades de internação.

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Brasil focará no combate a crimes pelos quais é cobrado internacionalmente


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A 2ª Câmara de Coordenação e Revisão (Criminal) do Ministério Público tem quatro prioridades para os próximos dois anos. O foco, neste período, será o combate a crimes que o Brasil é cobrado nas Cortes Internacionais.

“Nós adotamos uma metodologia de escolha de crimes prioritários, escolhidos a partir de encontros regionais, em 2015, e o encontro nacional”, afirma a subprocuradora-geral da República Luiza Cristina Fonseca Frischeisen.

— São crimes que o Brasil é cobrado nas Cortes Internacionais, especialmente na Corte Interamericana de Direitos Humanos: os crimes da Justiça de Transição, a concepção penal dos crimes cometidos na Ditadura Militar, crimes de trabalho escravo, crimes em detrimento das comunidades indígenas e o crime de tráfico de pessoas.

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Desde junho deste ano, é Luiza Frischeisen quem coordena a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão (Criminal) do Ministério Público Federal. Entre os projetos da 2ª CCR está a formação de um grupo que atue em regiões de fronteira e trabalhe com dados da estratégia nacional que repassa verbas federais para os estados.

As Câmaras de Coordenação e Revisão da Procuradoria da República são órgãos setoriais que coordenam, integram e revisam o exercício funcional dos membros da instituição — procuradores e subprocuradores-gerais da República. São organizadas por função ou por matéria. Cada Câmara é composta por três membros do Ministério Público Federal, sendo um indicado pelo procurador-geral da República e dois pelo Conselho Superior da Procuradoria da República, com os suplentes, para mandato de dois anos.

Luiza Cristina Fonseca Frischeisen entrou no Ministério Público em abril de 1992. Assume a coordenação da 2ª Câmara de Coordenação e Revisão após um período no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) como membro da Procuradoria da República.

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Brasil volta a decepcionar e repete 0 x 0 no futebol da Olimpíada

(Reuters) – A seleção de futebol do Brasil voltou a decepcionar neste domingo e repetiu contra o Iraque o empate sem gols da estreia nos Jogos Olímpicos Rio 2016, resultado que fez com que a torcida desse uma sonora vaia à seleção no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

O Brasil chegou a ser pressionado pela equipe iraquiana, mas criou as melhores chances da partida, pontuada por demonstrações de descontentamento dos torcedores que também vaiaram a equipe em alguns momentos durante o jogo e chegaram a gritar o nome da seleção adversária.

Com dois pontos em duas partidas, a seleção precisa agora de uma vitória contra a Dinamarca no último jogo da fase de grupos do torneio olímpico de futebol para não depender de outros resultados para se classificar para a próxima fase e manter viva a possibilidade de conquistar o inédito ouro olímpico.

Renato Augusto desperdiçou boas chances para dar a vitória ao Brasil, como aos 43 minutos do segundo tempo, quando mandou uma bola no travessão do goleiro Mohammed Hameed.

O jogador, que atualmente atua no futebol chinês, perdeu a maior chance de dar os três pontos ao Brasil ao mandar por cima do gol vazio já nos acréscimos da partida.

Principal estrela da seleção e maior nome do torneio olímpico de futebol no Rio, Neymar voltou a ter uma atuação apagada, como havia feito na estreia contra a África do Sul, e pouco apareceu durante a partida.

Os jogadores saíram de campo sem dar entrevistas.

O Brasil volta a campo na quarta-feira em Salvador para decidir sua sorte no torneio olímpico de futebol contra a Dinamarca, que lidera o Grupo A da competição depois de vencer, também neste domingo, a África do Sul por 1 x 0.

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(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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Da vingança ao arrependimento: um dia em um grupo de reflexão para acusados de violência doméstica

Lei Maria da Penha prevê grupo de auxílio a agressores
Agência Brasil

Pouco antes de revelar que gostaria de se vingar da promotora que o denunciou por violência doméstica, um dos integrantes do grupo de reflexão para homens acusados de agressão contra mulheres afirma: “Essa sociedade para mim já foi, já era. É hipócrita. Aqui estou aprendendo alguma coisa, mas não sei de que isso adianta. A sociedade não muda. Quando volto para o trabalho, é tudo igual.”

Assim teve início um dos momentos mais tensos da reunião do grupo de reflexão da última segunda-feira (1º), que acompanhei, identificando-me como repórter do R7 e tendo recebido a autorização da equipe de psicólogos e dos participantes.

Impulsionado pela Lei Maria da Penha, que prevê acompanhamento do tipo para agressores, o grupo Masculinidades foi criado há dez anos em São Caetano do Sul e funciona hoje na capital paulista como um braço do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde. Como toda semana, o encontro está marcado para as 18h. Cerca de 20 minutos antes, os primeiros suspeitos de agressão começam a chegar ao local: uma sala nos fundos de uma discreta casa em Pinheiros, zona oeste da capital paulista. O lugar não é muito grande — tem algo entre 20 e 30 metros quadrados —, mas é suficiente para acomodar a todos.

Dez anos da lei Maria da Penha: denúncias crescem, mas mulheres ainda sofrem com atendimento

‘Esmurrei uma pessoa’

O grupo é composto por cinco psicólogos (um deles, na verdade, é ainda estudante de psicologia: fez estágio no grupo e, faltando pouco tempo para se formar, decidiu seguir atuando) e 20 acusados de violência doméstica.

Entre os acusados, alguns admitem terem sido autores da agressão. Outros negam. O participante mais exaltado, que se referiu à hipocrisia da sociedade e externou um certo desejo de vingança, é um dos que afirma ser injustiçado. “Eu não fiz nada. Virei de costas e fui embora. Dias depois, ela [a vítima] apareceu machucada na delegacia.”

Forte, ele contesta o fato de o laudo de sua mulher ter apontado lesão corporal leve. “Acham que, se fosse eu o agressor, seria uma lesão corporal leve? Absurdo! Seria grave, gravíssima.” Um dos participantes mais calados, porém, o questiona: “Você sabe mesmo a diferença entre lesão corporal leve, grave e gravíssima?” E prossegue: “Eu, por exemplo, esmurrei uma pessoa. E o laudo apontou lesão corporal leve.”

Mega-audiência

Os participantes conhecem o grupo, via de regra, por meio da Justiça. De três em três meses, a juíza Elaine Cristina Cavalcante, do Foro Central Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, na Barra Funda, convoca uma audiência com homens que foram de alguma forma acusados de agressão. Ela apresenta o grupo e, em seguida, os psicólogos que organizam o círculo também falam.

Apesar de não durar mais de uma hora, a audiência convocada pela juíza é chamada de “mega-audiência”. O superlativo refere-se ao total de homens convocados: cerca de 100. No final, os interessados em participar dos encontros se alistam. Não há nenhuma garantia de que a participação reduzirá suas penas em caso de condenação. Muitos deles, porém, ainda estão na fase inicial do processo. E têm esperança de serem inocentados.

Os homens que manifestam desejo de participar do grupo formam um conjunto bastante heterogêneo. Há suspeitos de agressão verbal, de ameaça e de agressão física. Há gente mais abastada e gente mais simples. As profissões também são muitas. Um dos participantes, por exemplo, chegou a me perguntar se conhecia uma antiga funcionária da Record. Ele também é jornalista e ela era sua amiga.

Grupo lotado

Atualmente já com 20 inscritos, o grupo tem lista de espera. Nem sempre, no entanto, todos comparecem. Nesta última segunda-feira, além de mim e da equipe de psicólogos, chegaram a estar na sala 11 pessoas.

O processo de reflexão dura 16 sessões — ou quatro meses. Assim, quem falta em uma reunião, participa de um encontro a mais no final. Os que se ausentam em duas, comparecem em mais duas após os quatro meses. E assim por diante. Com isso, os novos vão entrando aos poucos no grupo, conforme os antigos vão saindo. Leandro Feitosa Andrade, fundador do círculo, diz que isso ajuda. “Os mais velhos acolhem quem entra”, diz.

Mesa no centro?

Antes de a reunião começar, José Luiz Querido, um dos psicólogos mais experientes, pergunta o que fazer com a grande mesa retangular que está no centro da sala. Ao redor dela, há cerca de dez cadeiras de escritório e outras tantas encostadas em uma das paredes. Em um canto, há ainda banquinhos de plástico empilhados. Próximo a eles, um ventilador de pé e um bebedouro de galão. Mais nada.

Com exceção da mesa, a sala parece perfeita para o encontro. Após um curto debate, o grupo decide encostá-la ao fundo, para que ela não atrapalhe o círculo. “Precisamos dar um jeito de tirar essa mesa daqui definitivamente”, diz José Luiz.

No início, um texto

Às 18h10, há sete participantes na sala. A reunião começa como de costume: Mateus Amaral, um dos psicólogos da equipe, lê um texto. Por vezes, o texto é substituído por um vídeo. No semestre passado, por exemplo, as imagens do homem que invadiu o Fórum do Butantã e ameaçou atear fogo em uma juíza deu início há um debate.

O formato não importa muito. O fundamental é que seja um tema atual. Antes do vídeo da invasão ao fórum, o grupo debateu o estupro coletivo ocorrido no Morro da Barão, no Rio. Na reunião acompanhada pelo R7, Mateus lê um texto que andou circulando recentemente por redes sociais. O título: “Eu não ajudo a minha mulher, nós somos sócios!”

Tarefas domésticas

A tese central do texto é que o homem não deve considerar sua participação nas tarefas domésticas como uma ajuda à mulher, mas como algo que ele deve assumir. Ao fim da leitura, o primeiro a falar é um dos participantes, o mais extrovertido deles: “É por aí mesmo. É uma parceria.” Mateus, que acabou de ler o texto, tenta tornar a discussão mais concreta: “Mas como é na casa de vocês?”

“Para mim, não há problema”, responde outro participante. “Mas acho que quem não está trabalhando que deve cuidar da casa.” Um terceiro cita a empregada: o primeiro a falar, o mais extrovertido, retoma então a palavra e cita o irmão, que mora com a mãe doente. “Ele não faz nada.” Um dos participantes, até então quieto, em um canto da sala, próximo da mesa, define: “É obrigação. Trabalhar em casa é obrigação.”

José Luiz, então, afirma que a ideia de que é a mulher é responsável pela casa é fruto de uma formação mais antiga. O grupo volta-se para Davi Miranda, o mais novo da equipe de psicólogos. “Agora minha mãe está me cobrando mais para que eu arrume o quarto”, diz ele, admitindo que não limpa o banheiro.

O trabalho dos presos

A conversa então tem um desvio repentino. “É como na cadeia”, diz um dos participantes. “O preso também tem que trabalhar.” O mais extrovertido, então, conta sua experiência na cadeia. Critica o ócio. Mas é cortado por outro participante, que veste uma camisa do Corinthians: “Mas pensar em trabalho forçado também está errado.”

Aos poucos, outros participantes vão chegando. Um homem de terno chega e senta. É um advogado que participa do grupo. A discussão esquenta. Começa-se a discutir a redução da maioridade penal. Mateus, o integrante da equipe que leu o texto, levanta a questão do estigma que sofrem os presos e infratores menores de idade.

A referência à forma pejorativa como a sociedade julga presidiários e infratores parece zangar o participante que deu início ao momento mais tenso da reunião. “Essa sociedade para mim já foi, já era.”

O início da tensão

Ele, o mais exaltado, afirma então participar do grupo por obrigação. “Aqui estou aprendendo alguma coisa, mas não sei de que isso adianta. A sociedade não muda.”

Quem primeiro tenta contornar a situação não é um dos psicólogos, mas outro participante. “Aqui você não vê ninguém melhorando?”, pergunta o corintiano. “Eu não estou me ressocializando, não quero me reintegrar a essa sociedade”, responde o homem que havia levantado a questão.

“E você então tem alguma sugestão para melhorar a sociedade”, questiona José Luiz. “Não sei”, responde, mais calmo, o participante que havia se enervado. “Nos lugares onde andei, nunca encontrei uma sociedade boa.” Ele hesita. “Talvez inserir o estudo na cadeia seja um jeito de melhorar.”

“Mas o Estado não dá estudo, não dá nada”, diz outro. “E isso é injusto.” O clima segue tenso. Leandro concorda com o participante: “A pena é a privação de liberdade. Qualquer coisa além disso, não está na pena. E é visto por quem está preso como injustiça.”

O desejo de vingança

“Eu fiquei uma semana preso”, volta a falar o mais extrovertido. “Se permanecesse lá mais uma semana, ficaria louco. Imagino a reação dele se fosse para cadeia”, diz, apontando para o participante mais exaltado. “Ah, eu viraria a cadeia. Pendurava todo mundo e tacava fogo”, diz.

Por dois ou três segundos, o silêncio toma a sala. O exaltado fala então em vingar-se de quem o denunciou. Fala em memorizar o nome das autoridades envolvidas. E volta a dizer que, apesar de aprender alguma coisa, está no grupo apenas por obrigação. “Que coisa você aprende?”, pergunta Mateus. A resposta é imediata: “Que outras pessoas também têm problemas.”

“É que essa coisa de bater em mulher vem de anos”, fala um participante que estava quieto até então. “Não é culpa só nossa. E cadeia não resolve.” Ele revela: “A gente também sofre com isso. Quando aconteceu comigo, eu tinha tomado todas e nem lembrava. Quando vi as fotos dela, de como ela tinha se machucado, fiquei muito mal.”

O corintiano volta-se, então, novamente para o mais exaltado. “Sua raiva contra a promotora não faz sentido. A função dela é essa: acusar”. Ele olha rapidamente para o advogado, buscando aprovação. E prossegue: “Ela faz parte de um sistema. Não é ela que está errada. É o sistema todo.”

Sem desfecho

Não há exatamente um desfecho para o debate. A conversa segue. Por ao menos mais uma vez, o mais exaltado volta a externar sua angústia. Quase no fim do encontro, um último participante chega. Diz ter acabado de sair de uma audiência. Os participantes querem saber sobre o que o juiz perguntou a ele.

Às 20h15, já passado o horário previsto para a reunião acabar, o grupo ainda está na sala. Segue conversando. No final, Leandro pede ao repórter do R7 que se manifeste. Volto a me apresentar, pois alguns participantes que chegaram durante a sessão não sabiam exatamente o que eu fazia ali, quieto e escrevendo exaustivamente. Peço autorização para descrever o que se passou na reunião.

Antes de me autorizarem, querem saber o que eu achei. Digo que considerei muito pertinente a discussão a respeito de ajudar a mulher. E tento responder a uma questão posta por Leandro pouco antes que havia ficado sem resposta: o que havia feito a conversa se desviar gradativamente ao longo do encontro? Procuro em minhas anotações e digo que a mudança de tema parece ter ocorrido a partir do debate a respeito do trabalho de presos. “E você vai escrever isso?”, pergunta o advogado. “Sim”, respondo.

Ele e os outros, então, concordam com a publicação da reportagem.

* Colaborou Ana Ingácio, do R7

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Brasil tem domingo de atos pró e contra impeachment

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Bonecos gigantes em ato pró-impeachment na avenida Paulista
Estadão Conteúdo

Atos favoráveis e contrários ao impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff foram realizados em diversas cidades do País neste domingo (31).

Em São Paulo, o ato contra Dilma aconteceu na avenida Paulista.  O protesto tinha por objetivo fazer pressão para que o Senado confirme a saída da petista em votação prevista para o fim de agosto.

Bonecos gigantes foram usados para ironizar não apenas Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o presidente do ST (Supremo Tribunal Federal), Ricardo Lewandowski.

Não foi divulgada uma estimativa de público, mas o número de manifestantes foi aparentemente menor do que nos atos que antecederam o afastamento de Dilma.

Rogério Chequer, líder do Vem Pra Rua, um dos maiores grupos de rua que pedem o impeachment disse que menor adesão ao evento já era esperada. “As pessoas estão tomando como certa a aprovação do impeachment no Senado”, afirmou.

O líder do Vem Pra Rua, no entanto, fez questão de ressaltar que mesmo após a saída de Dilma, o movimento continuará pressionando os políticos com outras reivindicações. “É para acabar com o foro privilegiado dos políticos, com esse viés do STF (Superior Tribunal Federal), pra mudar Renan Calheiros da presidência do Senado, pra limpar a política, é pela renovação”, afirmou.

Em Copacabana, manifestantes pró-impeachment se concentraram em um trecho de cerca de 500 metros da pista da Avenida Atlântica, junto ao calçadão, entre os postos 4 e 5.

O diretor do Movimento Brasil Democrata, Casé Carvalho, fez discurso em que anunciou o recolhimento de assinaturas de brasileiros para pedir a “extinção do PT”. Ele disse que a mobilização será feita no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e outras cidades, no fim de agosto, passada a votação do impeachment no Senado.

“O PT não é um partido político, é uma facção criminosa, comparável ao Comando Vermelho. Temos de aproveitar a presença da imprensa internacional para mostrar que tudo está sendo feito de forma constitucional, já que a Dilma anda por ai dizendo que foi golpe”, disse Carvalho.

Em Brasília, o ato a favor do impeachment, que ocorreu na Esplanada dos Ministérios, foi encerrado com a execução do Hino Nacional Brasileiro. Segundo a PM, o ato reuniu 5 mil pessoas.

Durante o ato, os líderes de diferentes grupos pró-impeachment se revezavam no carro de som, fazendo discursos pelo afastamento definitivo de Dilma, contra a corrupção e em apoio à Operação Lava Jato.

A maior parte das falas foi dividida entre pedidos para que Lula seja convertido “de réu para prisioneiro” e tributos ao juiz Sergio Moro.

Os manifestantes chegaram a cantar “Parabéns” e a desejar “muita saúde” para Moro, que faz aniversário nesta segunda-feira, 1º de agosto.

Foi ainda simulado um cortejo e o enterro simbólico do governo Dilma.

Em Porto Alegre, lideranças de grupos contrários à presidente afastada aproveitaram o ato deste domingo para pedir votos para os pré-candidatos ligados aos movimentos que, desde o ano passado, puxam o coro do impeachment nas ruas.

“Ganhamos representatividade política”, disse Antônio Gornatti, porta-voz do Movimento Vem pra Rua, do alto de um carro de som no Parque Moinhos de Vento.

A manifestação em defesa do impeachment reuniu 2 mil pessoas, de acordo com os organizadores. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

O protesto durou pouco menos de três horas e teve a participação da Banda Loka Liberal, que costuma animar as manifestações do Movimento Vem pra Rua e do Movimento Brasil Livre com músicas a favor do impeachment em ritmo de marchinhas de carnaval.

Entre uma canção e outra, os organizadores criticaram o PT, pediram a saída definitiva de Dilma e elogiaram a atuação do juiz Sérgio Moro na Operação Lava Jato.

Em Salvador, na Bahia, a manifestação a favor do impeachment reuniu cerca de 500 pessoas, segundo a PM. Os manifestantes, que se encontraram no Farol da Barra, pediram que o processo de afastamento da petista com mais rapidez.

Na Paraíba, um grupo de cerca de 50 manifestantes se reuniu na praia de Tambaú para pedir o impeachment de Dilma. O público exibia cartazes e bandeiras do Brasil. Eles pediam celeridade no processo de saída de Dilma. Conforme a Polícia Militar, não houve incidentes.

Em Goiás, ato contra Dilma reuniu cerca de 1,5 mil pessoas na Praça Tamandaré, Goiânia, segundo a organização. A PM contabilizou cerca de 400 pessoas.

Pedindo a confirmação do impeachment de Dilma e gritando palavras de ordem contra a corrupção e pela manutenção da Operação Lava Jato, por volta das 16h, a marcha seguia da praça rumo à sede da Superintendência da PF.

Em Belém do Pará, cerca de 1,2 mil pessoas, na avaliação dos organizadores, ou 500, segundo a PM, marcharam pelas ruas do centro para apoiar o impeachment da presidente afastada.

O momento mais tenso da manifestação ocorreu na Praça da República, quando um grupo de 100 pessoas, com camisas vermelhas e bandeiras do PT, passou a gritar “Fora, Temer”.

Os poucos policiais militares que estavam na avenida Presidente Vargas tiveram que fazer um cordão de isolamento para que os contrários a Dilma pudessem passar, evitando o confronto.

A favor de Dilma

Ato favorável a Dilma foi realizado na zona oeste de São Paulo. Os manifestantes saíram do Largo da Batata e foram até a Praça Panamericana. Durante o protesto, a Polícia Militar montou um esquema de segurança para proteger a casa onde fica o escritório político do presidente em exercício, Michel Temer, no final da avenida António Batuira, em Pinheiros.

Com escudos e pistolas, oito homens da força tática, um deles armado com uma espingarda, guardam o local enquanto manifestantes passam gritando.

Sob gritos de “fora Temer”, um grupo também protestou contra o impeachment na Candelária, centro do Rio. A organização do protesto não informou quantas pessoas participam. A PM estimou em 40 pessoas.

No Recife, cerca de 2 mil pessoas, segundo a coordenação da Frente Brasil Sem Medo, participaram do ato em defesa da presidente afastada e contra o governo Temer. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público do evento.

A mobilização começou às 15h, na Praça do Derby, na região central da cidade, e seguiu até o final da tarde. Um novo ato será realizado nos próximos 15 dias. Cerca de 30 entidades estiveram representadas.

Na Paraíba, manifestantes contrários ao governo Temer se reuniram no Parque Solon de Lucena, em João Pessoa. Gritando “fora Temer, volta Dilma”, cerca de 500 pessoas fizeram uma caminhada ao redor da Lagoa.

No Rio Grande do Sul, a manifestação realizada pela Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo em defesa do mandato da presidente afastada reuniu 4 mil pessoas, segundo os organizadores, no Parque Farroupilha. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

Em Goiânia, a manifestação a favor de Dilma foi realizada pela manhã, no centro da cidade.

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Serra afirma que vitória de Trump seria um 'pesadelo'

josé Serra diz preferir ‘não pensar’ em vitória de republicano
Renato S. Cerqueira/Futura Press/Estadão Conteúdo – 20.6.2015

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse considerar uma possível vitória do candidato republicano Donald Trump como um “pesadelo”.

A declaração foi feita ao jornal Correio Braziliense, em entrevista publicada neste domingo (31).

“Eu considero a hipótese do Trump um pesadelo”, disse o ministro ao jornal. “Pesadelos, às vezes, se materializam? Se materializam, mas eu prefiro não pensar nisso, fazer o jogo do contente.”

Serra, que estudou nos Estados Unidos, confessou simpatizar, desde sempre, com o partido Democrata, que tem Hillary Clinton como candidata.

“Eu, nos EUA, sempre torci pelos democratas, no atacado. Não que os republicanos tenham sido sempre desastrados, mas sempre fui democrata lá, contudo, agora não se trata nem de ser democrata, trata-se de ser sensato, de querer o bem do mundo”, disse. “Todos que querem o bem do mundo devem apoiar a Hillary, a meu ver.

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Exame da OAB é adiado após ameaça de bomba

Segundo relatos, houve pânico e correria entre os candidatos no prédio da Unijorge
Reprodução/Arquivo Pessoal

Cerca de três mil candidatos que fariam as provas da Ordem dos Advogados do Brasil, em Salvador, na tarde deste domingo (24), passaram por momentos de pânico, pouco antes do início das provas, quando um homem invadiu o prédio da Unijorge, onde se realizaria o exame, e ameaçou explodir o local. Houve correria e gritos, porém não foram encontradas bombas ou armas de fogo com o acusado, que se entregou durante a tarde.

A Polícia Militar, com o esquadrão antibombas, e o Corpo de Bombeiros foram acionados e evacuaram o prédio. Imediatamente iniciaram as negociações com o acusado, que foi mantido na sala 711, no 7º andar da instituição, até por volta das 16h30, quando ele se entregou aos agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE).

O acusado foi identificado como Frank Oliveira da Costa. Formado em Direito, ele já teria tentado inúmeras vezes obter o registro da Ordem, porém sem sucesso.

Logo após a rendição, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o acusado não portava bombas, nem arma de fogo. Na mochila que carregava tinha apenas roupas. Frank foi preso e levado para Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco).

“Após averiguações constatamos que não havia nenhuma substância explosiva entre os pertences do acusado”, disse o tenente-coronel Coutinho, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).

Contratado pela família de Frank, o advogado Marcos Melo chegou ao local pouco antes da rendição. Entretanto, ele desconhecia o que teria motivado o cliente a adotar tal medida extrema. “Ainda não posso falar do que se tratou, ainda preciso tomar pé da situação”, comentou.

De acordo com o presidente da OAB-BA, Luiz Viana, que esteve na Unijorge acompanhando o desenrolar do caso, as provas em Salvador foram suspensas, mas uma nova data para a realização do exame será marcada. “O mais importante é que estão todos bem, ninguém se feriu” declarou, acrescentando que a nova data da prova será publicada no site da OAB nacional e no regional.

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Presidente do comitê dos Democratas nos EUA renuncia às vésperas de convenção

Por John Whitesides

FILADÉLFIA (Reuters) – A presidente do Comitê Nacional do Partido Democrata, Debbie Wasserman Schultz, renunciou neste domingo em meio a um escândalo envolvendo o vazamento de emails que provocou turbulências nos quadros do partido às vésperas da convenção que vai nomear Hillary Clinton para a corrida pela Casa Branca.

Os ânimos após a esquentada primária entre Clinton e o rival Bernie Sanders se acirraram ainda mais depois que mais de 19 mil emails do Comitê Nacional Democrata vazaram. Os documentos pareceram confirmar a frequente acusação de Sanders de que o comitê sempre teve um favorito na disputa, Clinton.

Sanders havia pedido a renúncia de Wasserman Schultz mais cedo neste domingo.

“Planejamos uma grande e unida convenção e eu espero que a equipe do comitê, que trabalhou tanto para chegarmos a este ponto, tenha o apoio de todos os democratas para realizar a melhor convenção de todas”, disse ela em comunicado.

O escândalo foi um duro golpe contra os democratas, que esperavam projetar estabilidade, em contraste com a volatilidade do candidato republicano nomeado na semana passada Donald Trump.

As notícias também ofuscaram as preparações na Filadélfia para a coroação de Clinton como a candidata democrata que enfrentará Trump.

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